Aproveitando a bitola que vimos seguindo, e não querendo desviar-nos muito (apenas um singelo "s"), vamos derivar um pouco o tema das figuras míticas para falar em figuras místicas.
Todos sabem que o misticismo é parte integrante da cultura portuguesa, desde as mezinhas, rezas, maus-olhados, etc.
Pedorido, como boa aldeia portuguesa não foge à regra, tendo a sua dose de sobrenatural na sua história passada, recente e futura.
Rivalizando com os Pastorinhos de Fátima em termos de encontros imediatos com a Virgem, David não tem direito a templo, doações ou peregrinações. Não tem direito a ser idolatrado, a ter estátuas, ter igrejas, cachecóis, cheirinhos para o carro ou livros de histórias.
É aqui que o pedorido.blogspot entra em acção. É nosso dever moral e social corrigir este erro histórico e, de uma vez por todas, mostrar que Portugal religioso não é só Fátima, é também Pedorido.
Meus senhores e minhas senhoras, o homem que faz tremer como varas verdes os bispos de Fátima ou os adoradores dos pastorinhos, o homem capaz de competir ao mais alto nível com as Lúcias e La Salletes deste mundo, o homem que esteve frente a frente com a besta: David Rê.

A história do David começa há mais ou menos uma dúzia, mais coisa menos coisa, de encontros com a virgem Maria.
Encontros estes que lhe mudaram para sempre a sua simples vida, tornando-o num ícone da peregrinação religiosa da rua dele.
Não sei ao certo quando é que se deu o primeiro encontro com a dita. Sei que se repetiram por aí fora, até ao dia em que outra personagem bem mais sinistra se intrometeu neste terno relacionamento entre natural e sobrenatural. E que personagem é esta, perguntam vocês? Sem mais rodeios, subterfúgios, artefactos linguísticos, demoras ou qualquer tipo de manipulação e entediamento dos nossos leitores aqui vai, curto e grosso, nú e crú o nome que todos ansiam ler, o nome que assusta, intimida, que faz com que muito chichi corra nas camas dos petizes deste país e não só... o DIABO!!
Ah pois é... o David este frente a frente com ele. Encarou-o nos olhos, olhou-de frente, e de lado, e acho que por trás também. E sobreviveu para contar a quem quisesse ouvir. Poucas ou quase nenhumas pessoas querem, é certo, mas ele está vivo e de boa saúde.
Agora, pensando bem e tentando descontruír a tese de Fátima temos os seguintes factos:
1) David também se encontrou mais do que uma vez com a virgem, tendo ainda a agravante de não ter à sua beira uma azinheira onde a mesma podesse assentar ferro, partindo assim para uma amena cavaqueira, do tipo "Ah, anda cá que eu vou-te contar alguns segredos do futuro!". Conversas leves, por sinal.
Mais, teve que receber a virgem em sua casa, sendo assim sujeito ao constangimento natural de quem recebe visitas, "Ò virgem, desculpe lá, não repare na desarrumação. É que o meu pai ontem arriou com um pau na minha mãe e ela ainda não saiu da cama! Por isso é que temos isto tudo desarrumado."
2) David teve ainda que enfrentar o Corundo em carne e osso, ou ar e carne, ou só ar... enfim... tarefa bem mais àrdua que a dos pastorinhos que se ficaram por um anjo e uma virgem! Pff! Peanuts!
3) David ainda cá está, ao contrário dos pastorinhos! É certo que a virgem ainda considerou leva-lo para junto de si, mas chegou à conclusão que, de facto, ia ser muito difícil atura-lo, e mais a mais, já não tinha trocos para lhe dispensar portanto deixou que o processo natural tratasse deste ponto. Lá está, se fosse UM virgem ainda o levava, porque o ditado diz "paciência de santo" não diz "paciência de santa". Até nisto o nosso David foi descriminado! Nos tempos que correm é tão difícil encontrar um virgem, que fará uma virgem! Antigamente era mais fácil. Até nisto os pastorinhos tiveram vantagem.
4) David também recebeu ensinamentos divinos. Quais? Ninguém sabe! Talvez a Maria Madalena de Pedorido...
5) Não há ponto 5, mas eu gosto particularmente deste número.
Agora digam-me: há justiça no mundo?
Não merecia isto uma exposição com um DVD ao secretário de estado da religião (se existisse) ou ao bispo-mor da igreja?
Não merecia David mais respeito da instituição Igreja? E das pessoas?
Se a história de Portugal se escrevesse como deve ser, talvez muita boa gente não tivesse passado do 9º para o 10º anos... talvez não se esfolasse tanto dinheiro e joelhos em Fátima.
Mas o David ficará para sempre como personagem inolvidável da nossa bela história pedoridense!