sábado, novembro 06, 2010

Licença sem vencimento

Caros amigos,

serve este post para anunciar, com muito pesar, que o PEdorido.com vai parar a actividade (?) durante tempo indefinido.

Já não tenho tempo pessoal disponível para acompanhar e participar no blog como desejaria e, confesso, a motivação e disposição já não são as mesmas de outros tempos.

Também não é justo da minha parte colocar nos ombros dos outros colaboradores a pressão de manterem vivo um blog que nem lhes pertence.

Aproveito para agradecer a todos os intervenientes por estes cinco anos fantásticos.
Tivemos altos e baixos, discussões acaloradas, outras mais serenas... mas no fundo, o objectivo primordial foi alcançado. Juntar os pedoridenses à volta de Pedorido (passe a redundância da expressão)!

Acho que, melhor ou pior, o PEdorido.com cumpriu o seu objectivo.

Obrigado a todos os que colaboraram directamente ou indirectamente com este blog:
  • Jerónimus
  • Camone
  • JVD (Filho de Deus)
  • Pikó
Vocês foram fantásticos. O PEdorido.com saiu mais rico com a vossa participação.

Obrigado a todos os fiéis "comentadores" que foram acompanhando o PEdorido.com durante estes anos:
  • wrld.antidot
  • madmike
  • osama bin laden
  • dariuspintus
  • pedoridenseatento
  • lua
  • blix & twix
  • djvas89
  • laforacadentro
  • todos os anónimos
  • todos os que não estão aqui enumerados mas que participaram e comentaram.
Mais uma vez, obrigado!

Até um dia destes! ;)

Grande abraço,
PEdorido

Exemplo de Coragem

Queria partilhar convosco um exemplo de coragem e sacrifício de um menino chamado Guilherme que, através do desporto, conseguiu ultrapassar as barreiras impostas pela paralisia cerebral.

O nosso abraço ao Guilherme e aos seus pais e que continue a ser este magnífico exemplo para todos nós.


segunda-feira, setembro 27, 2010

Pedorido visto do rio Douro! ( 9ª e última parte )


Assim que entramos na zona demarcada do Douro, pareceu-nos que o encontro com a Régua foi bem mais rápido do que pensávamos, e, aí, pudemos ver e apreciar uma cidade ribeirinha e do interior com uma vida própria assinalável e até um pouco agitada, porque a "rota do vinho" tem a virtude de "atrair" o turismo através de três frentes conhecidas e que são o comboio, as auto-estradas e os barcos de recreio... Este turismo de que falamos chama muito mais pessoas, estrangeiros e portugueses, desejosos de conhecer a região demarcada do Douro e que são unânimes em tecer elogios às belas paisagens que desfrutaram e por isso se preocuparam em guardar não só nas suas memórias, mas também em máquinas mais ou menos sofisticadas a quem não deram tréguas pelo rio acima, para que mais tarde, já em ambiente familiar e de amigos, poderem rever de novo as imagens com as quais se encantaram durante a referida viagem! De resto, não será por acaso que dizemos:-« Recordar é viver duas vezes!...»
Durante a curta viagem de cerca de seis horas, deu para notar que os nossos hábitos diferem um pouco dos estrangeiros, que apreciam melhor os nossos vinhos, porque para lá das refeições, faziam questão de continuar a saborear os bons vinhos desta região demarcada com um prazer e uma alegria, para lá do comum dos portugueses!
Achamos oportuno focar aqui um ou outro aspecto que poderá não ter sido salvaguardado, tendo em conta as diferentes realidades desde a foz do Douro até se atingir a região demarcada. Estamos a referir-nos às contra-partidas que quanto a nós se justificariam, porque quer se queira ou não admitir, a bacia do Douro não é homogénea... E por não ser homogénea, houve formas de vida que foram sacrificadas por todo este Baixo Douro e que nem sequer o dinheiro poderá resolver!... Relembremos aqui a melhor agricultura de toda a zona ribeirinha, passando por todo o tipo de pesca sazonal e que dava muita vida pelas freguesias ao redor desses extensos e belos areais, sem esquecer o corte radical que foi feito às ligações ancestrais, já com centenas de anos e que sempre foram feitas pelo rio, como eram os casos de Pedorido e Rio Mau, Cancelos/Sebolido e Midões e entre Melres e a Lomba... Só para citar o que melhor conhecemos!
É difícil perceber e mais difícil ainda é aceitar, que não tivessem previsto neste grandioso projecto o respeito pelo historial destas gentes ribeirinhas, num "chega p'ra lá", intencional ou não, mas que foi muito feio e que merece ser aqui denunciado!!!... ( FIM )

- Um abraço fraterno para toda a região duriense!

terça-feira, setembro 21, 2010

5º Aniversário

Hoje fazemos 5 anos.

Aqui fica a singela lembrança.

Obrigado a todos os que se lembraram (agradecer aos que não se lembraram é chato, porque é muita gente!).
A maior parte deles foi porque receberam um alerta do Facebook, mas a intenção é que conta.

Mais uma vez, parabéns para nós.

A gerência.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 8ª Parte

A seguir a Entre-os-Rios ficamos com curiosidade por chegar à foz do rio Paiva, por ser um afluente por quem temos uma simpatia especial e que vem de há muitos anos! A simpatia surgiu quando deram a conhecer que era dos rios menos poluídos da Europa e por roçar pelos limites do nosso distrito... E foi reforçada, depois de sabermos dos desportos radicais que ali se praticam, porque é uma das várias formas de dar a conhecer belas e naturais paisagens e nos sítios mais escondidos do interior deste bonito país!A Ilha dos Amores surge a anunciar a proximidade do rio da nossa simpatia, mas também foi giro rever o Castelo e o Escamarão, que nos trouxeram lembranças de gentes mais antigas e que sabe bem recordar, porque ajudaram de alguma forma à nossa identidade!
Finalmente a barragem de Carrapatelo e a 2ª eclusa, que após uma operação demorada, que decorreu com toda a segurança, após vencer um desnível com quase o dobro do de Crestuma!... Aqui, mais uma vez nos vimos confrontados com a história e com a obra do grande Camilo C. Branco, que descreve com a arte que se lhe reconhece a passagem por estas bandas do Douro da quadrilha do Zé do Telhado, o tal que tirava aos ricos para dar aos pobres e tudo isto há pouco mais de cento e cinquenta anos!... Conta-se, que terá sido o primeiro escritor em Portugal a viver à custa dos seus trabalhos literários, isto em pleno século dezanove!
Nesta nova albufeira até à Régua, deu para perceber, que flutuávamos em águas mais profundas, porque deixamos de ver as marcações a vermelho, que desde a saída do cais de Gaia foram uma constante rio acima. Começamos a notar que entrávamos numa vasta zona de floresta acentuada e em ambas as margens, aqui e além, com uma ou outra casa isolada, de acessos bem difíceis, razão porque nesses sítios, umas pequenas lanchas encostadas à margem, davam a perceber, que será através do rio, que fazem os seus contactos com o mundo exterior... Por vezes, não muitas, éramos surpreendidos com a presença das garças, uma ave que não esperávamos encontrar por ali!... Fazem parte da chamada bio-diversidade, bem real e nada fácil de ser respeitada pelos humanos...
Esta sucessiva monotonia, só iria mudar bem lá mais para cima, especialmente a partir do encontro do comboio com o rio na margem direita, onde a presença do casario começa a ser mais constante e a presença humana começa a ganhar outra consistência e que será como que o prenúncio da proximidade de um outro Douro, o chamado Douro vinhateiro, onde as vinhas um pouco antes da Régua, surgem devidamente ordenadas pela mão dos humanos, ocupando aqueles socalcos até ao cume das encostas, conferindo-lhes uma beleza única e que todo o mundo admira!...

domingo, setembro 19, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 7ª Parte



Nunca escondemos que trazemos bem gravado o rio mais antigo e por razões muito especiais e diversas, que nem serão difíceis de imaginar!... Daí, navegarmos, quase convencido, que poderemos ser o único a bordo deste barco de recreio, que conseguirá ver ou imaginar, outros rios e outros cenários que já desfrutamos neste mesmo Douro, donde não é possível separar os belos e naturais areais, que eram diversos e que hoje estão submersos, para não dizer escondidos, e, que tantas vezes pisáramos...
Este nosso apego às memórias, que não nos largam, fez com que "desligássemos" por muitos minutos e nem prestássemos a devida atenção aos pequenos lugares ribeirinhos de Cancelos, numa das margens e de Midões e Gondarém na outra margem, sendo que estamos ligados por laços afectivos a este último povoado!
Ainda durava o almoço quando atingimos Entre-os-Rios, povoação antiga e ribeirinha, não só do rio Douro, mas ainda do Tâmega que ali resolveu entregar-se duma forma pacífica ao grande rio e de forma idêntica ao Arda da outra margem em Pedorido!
Pudemos constatar que no presente, Entre-os-Rios dispõe de três pontes para desfrutar, mas terá ficado muito marcada pelo trágico acontecimento de 2001! Constatamos que alguns dos portugueses que viajavam neste barco comentavam o sucedido, sinal de que o país não se libertará tão cedo da tragédia que se abateu sobre as gentes desta zona do Douro... Foi péssimo, porque se perderam tantas vidas humanas e de seguida foi terrível ter de assistir ao desfile hipócrita de gentinha que aspira ao protagonismo a qualquer preço e que o tempo veio pôr a nu, se dúvidas houvesse!... ( Continua )

sexta-feira, setembro 17, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 6ª Parte



Isto é muita emoção para tão poucas horas! Ainda saboreávamos o paladar deste "novo" Pedorido e de seguida caía-nos bem à nossa frente a bonita e solarenga aldeia de Rio Mau, que já compararam com terras bem distantes... Quanto a nós, Rio Mau só é comparável consigo própria, porque é única e tem o seu próprio padrão! Seria como comparar este Douro navegável com o rio Tejo, que não são comparáveis, de forma alguma! O Tejo orgulha-se do grande estuário e de ser como que o anfiteatro natural da grande capital, mas o Douro "arrasa" com a sua identidade própria, que todo o mundo reconhece e já considerou património mundial! Penso para mim, que cairmos na tentação das comparações, estaríamos, talvez, a ir atrás dum qualquer sentimento de inferioridade, ou de coisa semelhante, que não faria sentido algum...
Acentuemos, isso sim, a componente humana do povo desta terra, que no seu todo, sempre se distinguiu pelo apego e amor à sua terra, e, que, quanto a nós, estará na base do que é muito justamente comentado como um sucesso colectivo!
De referir que em 1950, a pequena aldeia de Rio Mau era um pequeno lugar, onde só lhe conhecíamos uma pequena e artesanal oficina de colmeias, uma agricultura pobre e de subsistência e com gente humilde e bem disposta, que soube encontrar nas minas de Germunde, nos rabões da Carbonífera, na pesca no Douro e até na emigração, a forma honesta para a sobrevivência e para "mais altos voos"! A coesão deste povo decidido, viria a dar os frutos que estão à vista, e, sem desprimor, por quem quer que seja, entendemos da maior justiça, relembrar aqui, a figura e os exemplos de trabalho do saudoso padre Manuel que ainda conhecemos no final dos anos quarenta, éramos ainda uma criança!
Há um pormenor que ainda hoje transportamos connosco rio acima e para o qual ainda não conseguimos encontrar resposta convincente... Em boa verdade desconhecemos em absoluto, se foi a coesão deste povo que "ganhou" o padre Manuel, ou, se, pelo contrário, teria sido a forma de estar no mundo daquele abade que "conquistou" toda aquela gente! E será que alguém sabe?!...
Tudo isto, acudia em catadupa à mistura com recordações de vária ordem e ao meio dia fomos "acordados" através do altifalante para que descêssemos, porque ia ser servido o almoço... Apesar de Rio Mau ter ficado já para trás, fiquei só no exterior do Pirata Azul a digerir as emoções e convencido de que nenhum dos acompanhantes terá suspeitado das nossas raízes e do nosso envolvimento a toda esta região do Douro!

- Um grande abraço para os nossos conterrâneos de Rio Mau!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 5ª Parte



Teriam decorrido cerca de duas horas de viagem e Germunde aparecia já ao alcance da nossa vista! De propósito, preferimos um espaço isolado, donde fosse possível não só olhar, mas também esconder alguma emoção, porque não foi em vão que ali acordamos para o mundo do trabalho e onde viríamos a criar boas amizades, tudo isto durante a nossa juventude!
Assim de repente e volvidos quase cinquenta anos quase tudo mudou!... O lugar é o mesmo, já não tem teleférico e tornou-se muito mais verde, muito mais arborizado e muito menos negro, o que não deixa de ser normal após o fecho das minas! Se dúvidas houvesse o edifício do Poço Mestre continua ali firme, e, a destacar-se, como que a assinalar, naquela encosta adjacente ao rio Douro, toda a história dos mineiros de várias gerações e ainda tão recentes!!!!.... Faltará ali, sòmente, o símbolo de toda a época mineira e estamos a referir-nos ao briquete incandescente... Visto ao perto e do rio Douro seria um espectáculo!!!
Mas as emoções não iriam ficar por ali, porque de seguida, Pedorido e Rio Mau surgiriam como que apressadas, mas tiveram que ser pacientes, e, perceber, que, o nosso imaginário iria perder-se por algum tempo naquela quinta de Fornelo, que, outrora, mais parecia um jardim e onde fomos tão feliz!!!
E, eis, que, de repente, aparece o esplendor da igreja da nossa aldeia de Pedorido, devidamente enquadrada com o Douro e com o ambiente, e, que, só agora, deu para perceber da visão e da competência do pessoal técnico dos anos quarenta! É claro, que houve profundas alterações físicas no meio, mas hoje temos a ideia de que a aldeia estará mais ribeirinha e mais bonita, porque se terá abandonado a ideia de outrora, quando quase sempre construíam as casas nos pontos mais altos e de difícil acesso. Com o fecho das minas o pensamento humano poderá estar à procura de voltar aos rios e poderá ser como que um retorno às origens... É o mais natural, muito mais romântico e a vida sem romantismo perderá a essência!
O enquadramento das pontes com a foz do Arda é de uma beleza única em todo o Douro, e, a praia fluvial, mesmo ao lado, veio dar a oportunidade que sempre faltara aos pedoridenses e àqueles forasteiros que fazem desta praia a sua preferida...
A nossa sensibilidade, diz-nos, que Pedorido tem um aspecto mais jovem e mais bonito, porque terá perdido aquele ar triste e mais escuro de outros tempos! Do centro deste belo rio Douro, gostamos do que observamos e temos muito orgulho de cá termos vivido até 1963!

-Um abraço do tamanho do Arda!

terça-feira, setembro 14, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 4ª Parte


Custou a despegar o olhar de Melres e da sua ribeira, que sempre havíamos guardado bem lá no fundo e sentimos como que um misto de saudade e alegria, porque nos pareceu, que o actual rio Douro não terá mexido ou alterado o que era fisicamente aquela linda povoação nos anos cinquenta! Por vezes somos traídos pela imaginação, e, no caso, vivíamos com a ideia de que as águas do "novo" Douro teriam "invadido" uma boa parte de Melres e da sua viçosa ribeira... Foi como que o transportar de um "peso" que carregamos durante muito tempo e no final sentimos um alívio e faltam as palavras...
Quem não se recorda dos mineiros que diariamente transpunham o rio vindos daquela margem, e, que,volvidos trinta minutos eram "engolidos" para as entranhas da terra durante horas seguidas?! E ao recordar Melres, é mais que justo relembrar aqui, aquele jovem louro, de aspecto nórdico, que dava pelo nome de António Vieira da Rocha, um exímio lançador do martelo nos anos cinquenta e que no velhinho campo entre Pedorido e a Póvoa tantas vezes vimos lançar o engenho a distâncias que para a época eram um espanto!... Bela prática desportiva e a "feijões", que é como quem diz, sem ganhar tostões nem milhões, e, só faltará acrescentar, que, a sua primeira profissão foi como mineiro, e, só mais tarde seria transferido para as Obras, uma espécie de construção civil da Carbonífera! Ou seja, o mérito veio depois das provas dadas!...
A Lomba sempre viveu um pouco escondida em resultado daquele ziguezaguear do Douro, mas que soube aproveitar mais tarde aquele grande espaço junto do rio e construir ali uma praia fluvial, onde é notório o bom aspecto duma ponta à outra e que aqui registamos! De outros tempos, vem-nos à lembrança os sermões do padre Regadas, cuja fama de orador ecoou pelas terras ao redor e pelos vales circundantes e de que nos recordamos, apenas, daquele longo sermão na esplendorosa igreja de Pedorido, onde aquele abade repetiu, vezes sem conta, a frase que estivera na origem de tão polémico sermão:-« É PERIGOSO DIZER A VERDADE!...»
Achamos curioso, passado todo este tempo, estas recordações "saltarem cá para fora", num sinal para nós, claríssimo, de que não vamos agora, nem amanhã, esconder o realismo de uma época que também foi a nossa e com a qual aprendemos o essencial! E o essencial foi perceber, que, se hoje nos foi possível navegar Douro acima, num barco com alguma dimensão e conforto, não vamos querer esquecer aquele outro tempo em que fizemos idêntico caminho, rio abaixo, rio acima, a bordo de uma pequena lancha, sem comodidade alguma, mas onde reinava a alegria de uma juventude, que, viria, um pouco mais tarde a dar o seu melhor para as mudanças que o país aplaudiu e que só terão pecado por tardias!

-Se tens amor à tua região, divulga-a!

domingo, setembro 12, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 3ª Parte




As duas cidades ficaram lá para trás e podíamos dizer que esquecidas, e, assim que subimos na barragem de Crestuma, sabíamos que estávamos no mesmo nível das águas na foz do Arda! Começamos por ouvir os esclarecimentos na nossa língua, claro, mas também em inglês, espanhol e francês, de que à nossa esquerda podíamos ver as antigas instalações da central térmica da Tapada do Outeiro e que fora alimentada até 1994 pelo carvão proveniente das minas do Pejão... Conhecíamos bem demais a história, mas este relembrar, que correspondia na íntegra, apenas veio avivar, só isso!...
A partir dali, já nos começávamos a familiarizar com estas margens e foi bom até pela diferença com outros tempos, poder apreciar os diversos tipos de canoas que treinavam com afinco, rio acima, porque gostamos da envolvência e do contraste que mantinham com o rio e com o verde do arvoredo, que era diversificado e de vários tons de verde, e, de outras cores, que davam um contraste singular e de que não estávamos à espera!... A Natureza no seu melhor!
Foi bom rever Pedemoura e Melres volvidos mais de cinquenta anos e será justo relembrar aqui o veterano Zé Noronha, um homem que se prontificava com paixão a combinar e a capitanear os encontros de futebol amigáveis entre Pedorido e os jovens daquelas terras ribeirinhas e onde os jogos iam até ao fim e sem a presença de autoridades!... Naqueles tempos os jovens da nossa terra tinham muita boa qualidade técnica, e, nem seria difícil ao Noronha formar equipas ganhadoras e tem alguma graça recordar, que todos pagavam a viagem da lancha!... Bons tempos, de boas amizades e de alguma ingenuidade à mistura!...
Voltando ao rio para focar o singular ziguezaguear do Douro, que por alturas da Lomba parece baralhar-se a si próprio, como que a hesitar, se há-de ir, se há-de parar e voltar atrás, e, quase nos deixa baralhados a nós também... Um pouco mais acima, vamos deparar com o que nos pareceu uma decisão acertada, quanto à escolha da pista internacional de canoagem para Melres, porque beneficia do tal serpentear do rio, mas também da sublime encosta na margem direita, que, por ser bastante elevada, não vai permitir que os ventos marítimos ali se façam sentir! Ainda acontecem boas decisões neste belo país!...

-Recordar é viver duas vezes!

sexta-feira, setembro 10, 2010

Pedorido visto do rio Douro! 2ª Parte


Diz-se, que foram tempos difíceis, e, felizmente, que ainda podem ser testemunhados por um bom número de pessoas ainda vivas e que resistem por todo esse Couto Mineiro - agora desactivado - porque as memórias não se inventam e até resistem aos maus tratos, a maioria das vezes ocasionados por vidas difíceis e pelos piores isolamentos que ninguém escolheria, se ainda pudesse fazer escolhas!...
Essas realidades de um passado não muito longínquo, servirão, quando muito, para que se retirem as ilações dos valores que as sociedades devem livremente adquirir ou rejeitar, por forma a viver-se dentro de padrões aceitáveis e dignos. Esta bagagem nunca está seguramente adquirida, pensamos nós, mas é um facto que foram dados passos nesse sentido, agora há que evitar o retrocesso!...
Pelas recordações de há cinquenta anos - quase uma vida! - tínhamos alguma curiosidade de conhecer melhor o mais recente e actual rio Douro e as zonas que lhe estão adjacentes em ambas as margens e que já não seriam bem iguais!... Nem estamos a referir-nos às zonas ribeirinhas do Porto e Gaia, que, excluindo a presença dos barcos que fazem os Cruzeiros e ainda dos barcos rabelo, que, são uma cópia um pouco aproximada, mantém-se no essencial o que sempre foram as duas margens, e, só notamos uma recente novidade entre o cais de Gaia e o quartel do monte da Virgem, sobranceiro ao rio. Está ali em construção um novo teleférico, em fase bastante adiantada e que irá ligar aqueles dois locais da cidade de Gaia, pelo que nos foi dado observar...
Demos início à subida com o mar Atlântico na maré baixa, e, talvez, por esse facto, podemos constatar a grande diversidade de aves com que íamos deparando ao longo do rio e foi uma constante até à barragem de Crestuma, e, se, não nos falhou a contagem, foram seis pontes as memorizadas em todo o correr das duas cidades, se contarmos com a ponte D. Maria, entretanto, desactivada. Não resta qualquer dúvida que ali se aplica o ditado popular:- « Não há fome que não dê em fartura!...» ( Continua )


quinta-feira, setembro 09, 2010

Pedorido visto do rio Douro!


Nos últimos anos vacilamos muito se devíamos ou não subir ou descer o rio Douro!...
Tínhamos um "confronto" interior que não será fácil de explicar, uma vez que são questões que vamos colocando a nós mesmos em certos momentos da nossa curta existência, e, que, nem sequer se prendem com o bem e o mal, mas, unicamente, com a nossa forma de imaginar toda uma região a partir do momento em que fomos sendo preparados desde muito miúdos para um rio, que já viria de muito longe e com cujas actividades nos fomos identificando, ao mesmo tempo que íamos, nós e os outros, partilhando vivências de tarefas que eram dos rios ou que a eles estariam associados.
Mas há aqui aspectos, que queríamos deixar bem claros e que gostávamos de partilhar com os nossos conterrâneos... O primeiro aspecto é que sendo nós um duriense dos anos quarenta, transportamos connosco esse Douro já um pouco antigo e que guardamos quase religiosamente, com profundo respeito por todas as criaturas que conhecemos e com quem convivemos, e, que, como nós, conheceram e amaram os rios Douro, Arda e os demais!... Claro, que estamos a referir-nos e a citar as gentes de Pedorido e Rio Mau, mas também da Póvoa, Sebolido, Melres, Lomba, Oliveira do Arda, Raiva, Folgoso e Serradelo! Todas estas gentes tinham um ponto em comum e de grande coesão, que lhes advinha do facto de se encontrarem de segunda a sábado na mesma labuta e num mesmo trabalho na única companhia a laborar no Couto Mineiro do Pejão!...
Entretanto, esses tempos já passaram e, por coincidência, ou não, os rios viram-se também transformados, os grandes areais do Douro foram escondidos com a subida das águas, os pescadores de Pedorido e Rio Mau passaram a ser uma miragem naquele grande e belo areal de Pedorido, mas ainda temos bem presente, como eram tão ágeis a manobrar os pequenos barcos da pesca ao sável, enquanto outras mãos se prontificavam a deixar cair para as águas "lamacentas" do Douro, uma rede previamente ordenada numa das zonas do barquito de sete metros e de forma a não comprometer toda a tarefa, do princípio ao fim, e, até completar numa espécie de U, já em pleno areal, aquela que seria uma armadilha para um peixe, que subia sempre apressado na mira duma desova, depois de muitas milhas vencidas, e, que, visava garantir a continuidade da espécie!... E, será que o apressado sável, depois de ter escapado à captura pelas redes montadas a partir de areais a jusante, iria vencer mais este desafio lançado por pescadores tão experientes como os que operavam no nosso areal de Pedorido?!
Diz-se, que foram tempos difíceis... ( Continua )

segunda-feira, setembro 06, 2010

Imaginar Pedorido, os seus rios e as origens!...


Fisicamente Pedorido é como é, mas, pensamos nós, que há largos milhares de anos tudo seria bem diferente e duma forma que a nossa imaginação dificilmente visualizará, mas com os poucos dados de que dispomos, vamos tentar criar algumas ideias, que poderão ter estado no princípio do que foi o estabelecimento da vida humana nestas encostas adjacentes ao Douro, ao Arda e a toda esta vasta região...
É muito provável, que este fosse um corredor de passagem para os diversos povos nómadas que seguiriam os cursos de água como meio de orientação e até da sua própria sobrevivência e a começar pelos mais importantes, como era o rio Douro, mas, é de crer, que outros afluentes também "atraíssem" os mais diversos tipos de tribos, que, naturalmente, viveriam isoladas e se entenderiam por gestos e outro tipo de expressões à falta de dialecto... As margens do Coa, mais rochosas, deixaram testemunhos inequívocos da passagem destes povos mais primitivos e as suas pinturas expressam precisamente o estádio do seu intelecto há cerca de vinte mil anos! Não dominavam qualquer tipo de alfabeto e é de admitir que também deambulassem por estas paragens onde fica hoje Pedorido, que serviria como ponto de passagem. É provável que se atrevessem a mudar de margem, mas só quando o caudal do rio Douro permitisse e é quase certo que tenham usado o tronco das árvores como primeiro meio de transporte fluvial e aproveitando a correnteza do rio!
Seguramente que estávamos perante uma vegetação muito diferente da que chegou até nós, muito propícia ao desenvolvimento de uma abundante diversidade de caça grossa, a julgar pelas pinturas do Coa...
A fixação bastante mais tarde a uma determinada zona, trouxe como consequência lógica a mudança de hábitos e é bem provável, que, já nesta altura, tivesse tido início uma espécie de dialecto, quando o apego à terra gerou o aparecimento da agricultura, enquanto mantinham os hábitos ancestrais da caça e da pesca e se embrenhavam pela primeira vez na pastorície onde iriam buscar o leite, a carne e a lã para um vestuário que muito ajudaria ao seu agasalho! Esta fixação aos locais iria gerar o surgimento de novos fenómenos a começar pela construção de tipos de habitação débeis e muito precários, assim como o surgimento de guerras entre tribos ou etnias, uns porque queriam manter o que consideravam sua pertença, enquanto que os invasores se achavam com direito à conquista e a não permitir que outras formas de vida se instalassem!...
Todos estes processos teriam sido lentos, demasiado lentos, para a nossa compreensão actual, e, nenhum de nós, estará agora a pensar, que será o descendente de homens e mulheres, que viveram e deambularam durante milhares de anos por estas paragens, com uma simples tanga, que caçavam de arco e flecha e que estariam bem longe de imaginar e ver o que os nossos olhos viram naquela ribeira do Arda há apenas sessenta anos, na década de cinquenta, uma agricultura que mais parecia um jardim, só trabalho do homem e que contava com a ajuda do arado e das juntas de bois, assim, como também estariam bem longe de imaginar, que volvidos cerca de vinte mil anos, muitos dos seus descendentes iriam tornar-se mineiros, um modo de vida a que chamaram profissão e que não estaria no horizonte daquelas gentes tão primitivas, que, ao longo dos tempos, se foram misturando com outros povos, que, por cá, haveriam de aparecer, vindos de sítios tão distantes como as estepes asiáticas!...
Digam lá, pedoridenses, não foi um bom exercício repensar as nossas origens?!...
E, já teriam sequer sonhado, ter feito parte, embora de forma indirecta, de vidas tão primitivas e desconfortáveis?!...

-UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM RUMO!


quarta-feira, setembro 01, 2010

Abecedário de um verão

Aniversário - Vamos fazer 5 anos. É obra...

Baril (Rádio) - voltou ao activo, o que é sempre de saudar! Ou não... 

Campismo - não seria boa ideia tentar organizar o campismo na praia, agora que cada vez mais campistas vêm para Pedorido passar o verão? Qualquer dia não há lugar na praia para os banhistas...

Desemprego - Praga ainda pior que os fogos...

Esgoto - Souto. Cheiro. Podre.

Fogo - Muitos, muito fogos. Demais até! 

Gamanço - parece que em Pedorido no verão, para além da abertura das épocas de fogos e balnear tambem abre a época do gamanço... 

H - sei lá o que é que começa por H e tem a ver com Pedorido!!

Igreja - quando desaparecerem os velhos todos quem é que vai à missa??

Junta de Freguesia - não sei se têm feito muito ou pouco trabalho, mas não se fala deles, o que é positivo!

Lixo - As margens do Rio Arda são uma vergonha!!

Multas - já não chegam duas mãos cheias para contar as pessoas de Pedorido e arredores que têm sido multadas pelos zelosos funcionários da GNR de Castelo de Paiva. Gostam mais de nós do que mel...

Nunca mais vão tirar aquela merda de cima da Ponte Velha, pois não?

Obrigado ao Dr. João Pedro por ter conseguido a garantia que aquilo era temporário... ui, se não fosse!

Paintball (100Limite) - Está na moda agora! Dois jovens de Pedorido decidiram investir e criar um campo de jogo de Paintball. Fico muito feliz de ainda ver empreendorismo em Pedorido. Que sirvam de exemplo. Parabéns e boa sorte!

Q - Ler letra U

Rock (Crokas) - Vai realizar-se a segunda edição no dia 12 de Setembro. Grande iniciativa dos nossos vizinhos de Oliveira. Que fique por muitos e bons anos.

Sto. António - Mais uma grande festa e um bar que tem fechado todas as noites de Pedorido.

Tesos (Praia) - Mais uma vez concorridíssima! E este ano até tivemos direito a Beach Party!

Uma hora e um quarto - é o tempo que estou para encontrar uma palavra que encaixe aqui e no Q. Bolas, desisto...

Vinte e Nove (Café 29) - pela primeira vez na vida vi este histórico café fechar para férias!! Não percebo se isto é bom ou mau sinal...

Xungaria - definição aplicável à maior parte das pessoas que acampam na Praia do Choupal.

Zona J - Parece que a Costa/Eirado se tornou a Zona J de Pedorido. Só falta pintarem as casas de cores berrantes para avisar a população de zona perigosa...

quinta-feira, agosto 26, 2010

O mês de Agosto!

E cá estamos, mês de Agosto, Pedorido invadido por seres estranhos de outros planetas, o transito torna-se caótico ainda no outro dia apanhei dois carros a minha frente quando estava a chegar ao monte do Areinho! Isto é historia meus amigos, segundo alguns registo desde 1945 que não passam mais de dois carros seguidos por aquelas ruas e quem diz aquelas diz muitas outras!
Ao fim de semana temos a nossa praia dos tesos concorridíssima, com imensos campistas, que ficam completamente enfurecidos quando alguém se chega perto das suas tendas para dar uns toques na bola… na praia temos algumas tabuletas que nos dizem por exemplo: “proibido acampar” ou “proibido fazer fogueiras” para esses campistas diz apenas: “ proibido jogar a bola”, são dificuldades de leitura completamente compreensíveis meus amigos.
O que mais me agrada nestas enchentes na nossa Tesos Beach é que, de vez em quando, lá se apanha uma ou duas mulheres a praticar uma atividade que me agrada imenso… aí como é que se chama? topless é isso…
Não é apenas por ver um par de seios extra que me agrada receber novos visitantes, também reconheço que é bom para a nossa economia, as nossas ações na bolsa de valores disparam em flecha e claro é bom saber que por aí há mais quem goste de Pedorido!
Uma das coisas que reparo é na diferença de costumes entre quem nos vem visitar durante este mês, só para dar um exemplo no outro dia encontrava-me parado nos semáforos que ficam perto do Souto, quando vejo do outro lado uma família de emigrantes, o puto ao aperceber-se do cheiro desagradável que abunda por aquela zona tapa o nariz e comentam os restantes: - olha, cheira a natureza! - Eu fiquei embasbacado (embasbacado uma palavra com a sua piada)! Tipo para mim, acredito que para todos os pedoridenses, cheira, simplesmente a, perdoem-me a liguagem, mas não á outra maneira de dizer, eh pá cheira a merda, pronto! Para quem nos visita cheira a natureza! Ainda há quem diga para desfrutarmos da natureza, assim dispenso bem!

Juízo :)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Desabafos de um Barco do Douro!

...« É este "chega p'ra lá" que até a nós custa a "engolir", quando se percebe que as dificuldades com as vistorias e certidões aos pequenos barcos como nós, são a ante-câmara de uma morte anunciada, uma vez que se trata de exigências que visam cansar os donos e familiares dos poucos barcos que vão restando Douro acima... Tudo isto para quê?! Para que se invista nos barcos de fibra e a motor, de preferência, como se de repente este país passasse a ser o país das maravilhas, que não é, nunca foi, e, não será nos tempos mais próximos!Vivemos com o "credo na boca", porque nem sabemos o que pensa o meu actual dono, se é que tem alguma posição, porque este é outro mal por aqui enraizado, sendo muito frequente deparar com pessoas que se auto-marginalizam dos seus interesses, mantendo uma posição dúbia em que "nem são peixe nem carne", facilitando com a sua posição os que se organizaram e que conhecem bem demais os pontos fracos das boas gentes ribeirinhas...Gostamos do que somos e nunca aspiramos vir a ser um outro barco, mais soberbo, a começar por umas linhas mais arredondadas, cheias de estilo e com cores próprias de paisagens exóticas, equipado com motor de alta cilindrada e com altas garantias de que não polui as águas, nem as margens, com baixo consumo, mesmo nas altas rotações, mas depois lá se descobre que nem é tanto assim, mas o negócio já está consumado e... "p'ra frente é que é Lisboa"!Querem um outro exemplo, aqui vai:- O meu actual dono, que foi mineiro nas minas de Germunde e com algum prestígio na classe, nunca se pronunciou junto de mim e desconheço em absoluto o que pensará, mas nós não somos assim tão estúpido e lá vamos tirando algumas conclusões! Como é bastante conhecido em toda a aldeia, relaciona-se com muita gente e até com pessoas que regularmente vêm rio acima nas suas lanchas com barco a motor e pelo que vamos "escutando" o centro das conversas continua a ser as minas, os poços, as galerias, os mineiros e as suas histórias, onde é inevitável falar-se de todas as peripécias que acompanharam o fecho das minas de carvão em noventa e quatro, mas, curiosamente, nunca se debruça acerca das questões actuais e futuras do rio... Quer-me parecer que esta criatura, que me parece bom homem, não será bem um pescador, daqueles que em tempos idos viviam do rio e para o rio e já o "apanhei" a comentar com pessoas amigas, que gostava de vir ao rio distrair-se, apanhar o ar puro que vem canalizado do Atlântico, mas que fazia "disto" um "hoby", porque tinha a sua reforma de mineiro e que não estava para se chatear muito... Confesso que ficamos tristes, amargurados e até a nossa madeira parece que mudou de cor e pela primeira vez sentimos calafrios muito próximos daqueles que os humanos por vezes sentem, porque a nossa imaginação diz-nos, que situações destas serão "o pão nosso de cada dia" e se isso for certo, o nosso fim poderá estar para breve!... Quem nos acode?!...»SE GOSTAS DA TUA REGIÃO, NÃO HESITES, DIVULGA-A!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Desabafos de um Barco do Douro! ( Parte 3 )

... O facto de estarmos agora aqui atracado ou "amarrado", se quiserem, na Lingueta, não significa que tenhamos sido abatidos ou coisa parecida, para já!!!!!...... Nada disso, até porque temos um "dono", que é um termo pouco do nosso agrado, uma vez que apreciamos de verdade o termo de barqueiro e não é só pela terminologia ser a mais correcta, nada disso, mas por vir do antigo, das nossas origens, com que nos identificamos e de que temos uma enorme saudade, que nem será difícil de aceitar... Mas se essa aceitação for assim tão custosa, nós até perceberemos sem que a aceitemos, obviamente!... Julgamos conhecer as principais razões do que foi acontecendo ao longo dos tempos para estas bandas do Douro e não nos conformamos com a proporção a que as coisas chegaram e é nestes momentos, que são raros, quase únicos, que gostaríamos de ter uma espécie de boca com língua para poder "falar"mesmo de maneira diferente dos humanos, com quem não queríamos "pedir meças", nada disso, mas somente poder "trazer à baila", factos verídicos e passados com outros humanos, que connosco lutaram lado a lado e que deram quase uma vida inteira pelo seu rio, e, não estou só a lembrar-me de barqueiros e pescadores anónimos, que ora eram uma coisa, para logo de seguida serem a outra, sem esquecer os pequenos lavradores ou simples caseiros, que sobreviviam com o muito pouco que retiravam das terras que nem eram deles, sujeitando-se anos a fio sem um queixume e recorrendo sazonalmente aos rios, para deles receber a parte que as terras não conseguiam dar!
Lá porque somos um barco, não perdemos a sensibilidade e achamos que não favorece a sociedade actual e futuras, este corte quase radical com o passado, que será a consequência de falhas graves e culturais, que já virão de trás, em que as responsabilidades serão de todos, mas que deverão ser repartidas de forma desigual, cabendo aos mais responsáveis as maiores culpas, porque é muito feio tentar arranjar desculpas, como é timbre neste território que tem o rio Douro e o Arda com as suas pontes, que nós adoramos!... (CONTINUA)

UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM RUMO!

sábado, agosto 21, 2010

Memórias de um barco do Douro! ( Parte 2 )

... Só tínhamos a noção de sermos um barco muito pequeno por alturas das grandes cheias do rio Douro, e, durante esses curtos períodos, até que apreciávamos que os nossos barqueiros se voltassem para os afluentes, e, sentíamos uma nova emoção penetrar nestas ocasiões pelo rio Mau ou mesmo pelo Arda fora e encostar nas suas margens, talvez por percebermos, que eram tempos muito raros e de excepção, e, ainda recordo, que tínhamos um comportamento que fazia lembrar as crianças com o seu temperamento alegre, mas irrequieto e imprevisível, capaz de criar alguns problemas ao barqueiro em qualquer ponto do rio, caso perdesse a concentração, por momentos que fosse...
Lembro-me como se fosse hoje, que não gostávamos de estar parados e detestávamos as horas de descanso dos pescadores, que, por vezes, também eram mineiros ou lavradores, e, embora não decidíssemos o que quer que fosse, tínhamos também as nossas manias e até as nossas preferências no movimento à ré, coisa inexplicável, sem justificação, assim como adorávamos as travagens, um processo bastante usado com ambas as pás dos remos e até as consequentes mudanças de direcção!... Delirávamos com tais manobras, sem saber muito bem porquê, e, já não sentíamos o mesmo quando os nossos barqueiros - e foram muitos! - se ocupavam do movimento de proa, que era o mais normal, ou melhor, o mais utilizado. Sim, remava-se, preferencialmente, de frente e para a frente, o que talvez vá dar razão àquele ditado popular que diz, "em frente é que é Lisboa!", mas não sabemos se tem a ver uma coisa com a outra...
Ah, mas voltando ainda às grandes cheias, para relembrar a mim mesmo o que foram todos aqueles momentos, bem mais raros, felizmente, em que as águas sujas, cor de barro, escondiam a vossa e "nossa" ponte velha! Era como se não existisse e a "nossa emoção" era grande ao passarmos em todos os sentidos, por cima duma ponte de ferro, que desaparecera aos olhos de toda a gente e nem era tão pequena quanto isso!... Da noite para o dia, tudo se modificara com a subida rápida das águas, e, passara a ser um ambiente muito estranho, por ser coisa rara e que até aos barcos meteria uma certa confusão, enquanto dava para ver a impotência e o temor dos homens e das mulheres, ao mesmo tempo que as crianças em idade escolar, quase ficavam sem fala ao ver pela primeira vez um cenário que desconheciam e que poderia deixar as suas marcas!... É a vida! ( Continua )

Memórias de um barco do Douro!

«Somos um pequeno barco saveiro, já com alguma idade, mas quem olha para nós não ficará com uma ideia do nosso historial, que surge do rio mais antigo e que trazemos na memória!
O facto de nos encontrarmos aqui parados na Lingueta tem a ver com os tempos actuais, onde até a pesca é bem diferente de outros tempos não muito longínquos, e, que, estiveram na origem do nosso aparecimento. Era a época dos areais dispersos ao longo de ambas as margens do rio Douro, ora na esquerda, ora na direita e que os nossos inventores tiveram o cuidado de perceber, para a seguir poder transformar num barco de características proporcionais às tarefas, que as gentes ribeirinhas tinham para lhes destinar! Foi assim que quem teve a felicidade de acompanhar o nosso desempenho como barco, ao longo dos diferentes tipos de caudal, concluiu que estava encontrado o barco que melhor se adaptava às várias tarefas e mais ninguém pensou em inventar para os nossos afazeres um novo substituto... Acontecia, que os donos mais cuidadosos, tinham com os seus pequenos barcos cuidados primários ao reforçarem toda a calafetagem, assim que achassem necessário e até a pintura era retocada em todo o exterior de dois em dois anos, porque um barco novo representava um preço muito elevado, enquanto uma boa manutenção dava todas as garantias para muitos e bons anos de actividade, umas vezes no transporte das gentes ribeirinhas entre ambas as margens, ou ainda, nos vários tipos de pesca - muito similares - que se levavam a cabo desde o areio de Melres, passando pelo de Pedorido e tendo boa continuidade um pouco acima no grande areio d´Hortos!... ( Continua )

segunda-feira, agosto 09, 2010

Diálogos com o nosso rio Arda!... ( Parte 6 )

Resolvemos dar prioridade em voltar às margens do Arda por acharmos que as responsabilidades agora passaram a ser nossas, a partir do momento em que ouvimos com clareza a voz do Arda clamar que tinha argumentos e objectivos e que queria dá-los a conhecer em primeira mão às gentes da região! A verdade é que mal aparecemos, nos reconheceu de imediato e nem perdeu tempo nas apresentações, para passar a explicar:
«- Nós os rios sempre fomos muito práticos desde as nossas origens e as nossas águas não tolerariam quaisquer demoras a que vós chamais burocracias... Mas com toda a franqueza, pior que todas as burocracias humanas - que são um problema vosso - é a praga da poluição que suportamos dentro de nós e ao longo das nossas margens de quase quarenta quilómetros, desde o abendiçoado vale de Arouca - que o grande Aquilino imortalizou no Malhadinhas - até atingirmos a foz à vista da vossa linda aldeia de Pedorido e deste lugar de eleição que é as Concas!...
Temos que dizê-lo muito frontalmente, que vários factores contribuem para que este flagelo da poluição, tenha vindo para ficar e o principal factor prende-se com a falta de raiz duma educação ambiental desde o berço, que, é como quem diz, a começar no seio das famílias, com a devida continuidade nos programas escolares, mas que deverá ter continuidade nas empresas de todas as dimensões e claro está nas autarquias, que têm um papel importantíssimo e vasto, mas que por isso mesmo é determinante, não só na continuação da formação dos munícipes, mas porque não, no combate firme contra os prevaricadores, que sempre irão existir ao longo da história dos povos e sem ter medo de vir a perder meia dúzia de votos!...
Estes dados de que vos "falo" nem são novidades para quem está atento, mas as resistências às regras e ao cumprimento são enormes, mas estamos de acordo com aquele humano anónimo, que há algum tempo atrás, aqui, junto das minhas margens e com todo este lindo cenário a servir de testemunha, dizia "alto e bom som", que Democracia não é bandalheira e estava a referir-se à poluição em geral e nos rios em particular, ao mesmo tempo que citava exemplos muito tristes de gente muito rasteira e sem escrúpulos!...»
Bem, quem fala assim merece respeito e a nossa reflexão e decidíamo-nos por um compasso de espera, ao verificar que tínhamos já na nossa posse um conjunto de boas ideias e vindas do nosso Arda, que muito justamente sobe na nossa cotação e na cotação das muitas pessoas que vêm fazendo das suas vidas um combate sério e digno, para que a vida na Terra não continue a ser posta em causa por gente irresponsável e criminosa, há que dizê-lo!
Obrigado velho amigo e gostaríamos que continuasses a ser um dos nossos rios mais queridos!...
-A melhor forma de mostrar amor pela nossa região é dá-la a conhecer!